Foto histórica: Água de morro abaixo ... condições topográficas do Jd. Azaleias concentras toda água das enxurradas no fundo do vale

Moradores e comerciantes da parte baixa da Av. Professora Magda Amarante - a principal via comecial dos bairros Jardim Azaleias e Jardim Hortênsias ficam tensos a cada nova pancada de chuva que se aproxima da região. Principalmente quando o tempo escurece e quando caem os temidos "torós", transformando aquela avenida num verdadeiro rio com uma forte correnteza, já que ela fica bem no fundo de um vale formados pelos dois bairros e a água chega por todos os cantos e aumenta a cada rua que existe em direção à parte baixa. Neste ponto, além de  muita água, existe uma forte e rápida correnteza que arrasta tudo que encontra pela frente. Principalmente carros e motocicletas.

Na tarde da última segunda-feira, dia 20 de março, foi mais um destes dias. Um forte temporal desabou sobre a zona leste, mas caiu com mais severidade e força na região do Azaleias. Além de forte, a chuva teve uma prolongada duração, o que aumentou o volume de água naquela pequena área. Usuários de uma academiz existente na esquina da Av. Professora magda com a Rua Júlio Marrichi registraram com seus celulares o desespero das pessoas que foram surpreendidas pela enxurrada que chegou até mesmo a arrancar parte do pavimento das calçadas nas imediações. Registraram também a situação difícil que se se meteu uma moça que tentou atravessar o trecho de motocicleta. A forte correnteza apagou o motor e a moça ficou presa no meio da enxurrada com o risco de ser carregada para dentro do córrego dos Ipês, que fica a poucos metros do local. Por sorte, ela foi resgatada por populares.

Situação preocupante

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Uma comerciante que tem um comércio bem no início da avenida reclama que este problema tem se tornado cada vez mais constante e perigoso. "Antes, acontecia uma, duas vezes por ano. Agora tem sido mais de uma vez por mês - e cada vez mais forte. E mesmo sendo num local mais alto, quando a enxurrada é mais forte, a água entra nos pontos mais baixos", denuncia a empreendedora. Uma moça que frequenta a academia e deixou o carro perto da academia se queixou dos prejuízos causados por objetos trazidos pela enxurrada e que amassaram e estragaram a pintura do veículo. "Ainda bem que não carregou o meu carro, mas a parte baixa ficou toda amassada e a pintura arranhada. Vai ter que levar para a funilaria. Ainda bem que tenho seguro, mas mesmo assim, vou ter que pagar a franquia e isso já é um prejuízo", queixou a moça vítima do toró. "O meu medo é alguém tentar atravessar a rua e ser carregado para dentro do ribeirão. A enxurrada é muito forte e veloz. Se cair ali e for arrastado, em menos de um minuto já está dentro do córrego. Isso é muito perigoso", finalizou.

Ponto de concentração

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Moça de motocicleta quase foi arrastada pela encurrada

A situação geográfica da Avenida Professora Magda Amarante conspira para tornar o seu trecho inicial bastante perigoso em caso de chuvas forte. É um fundo de vale que recebe águas de todos os bairros adjacentes: Jd. Ipê, Hortênsias, Azaleias, Amarillys e Acácias. Toda esta região é mais alta e suas ruas direcionam água para lá. Não tem como escapar - a não ser a construção de um sistema de coleta de águas pluviais que desviam esta água para outro ponto (levando o problema para outro lugar). Toda esta região é densamente povoada, com alto índice de impermeabilização por asfalto, calçadas e telhados, fazendo que a água não tenho onde se infiltrar no solo e corra em grande volume e velocidade pelas ruas que assim fazem o papel dos rios. E tudo se concentra neste trecho da Av. Professora magda Amarante, perto da ponte sobre o córrego dos Ipês. Apesar da situação ter uma curta duração, já é suficiente para causar grandes estragos - principalmente para  veículos que eventualmente sejam surpreendidos pelas fortes e volumosas enxurradas. Dependendo da situação, ele pode ser arrastado pelas águas com consequências fatais dada a forte e veloz correnteza no córrego que tem um forte declive em direção à Av. Edmundo Cardillo e o centro da cidade.

Ponto crítico

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Este foi um ponto falho do processo de loteamento desta área da Zona Leste de Poços de Caldas. Todos os bairros adjacente e subjacentes se concentram em direção à várzea do córrego dos Ipês, onde foi aberta as vias que o margeiam ao longo de todo o trecho da nascente no bairro Dom Bosco ao entroncamento com o ribeirão de Caldas (que vai da Saturnino de Brito às imediações da praça da Urca, onde se junta aos ribeirões Poços de Caldas (que segue junto com a Av. João Pinheiro) e da Serra (que chega por outra vertente da zona leste). No Jd. Azaleias começa estre problema que vai ser cada vez mais constante no cotidiano da cidade: problemas de inundações rápidas e pontuais. Em 2016, vimos o resultado de uma forte tempestade na região centro-sul na área central da cidade. Foi há exatos 10 anos. Com as mudanças climáticas que estamos vivendo, situações como aquelas pode se repetir - e com maior severidade porque a cidade sempre cresce, tirando os locais onde a água se infiltra no solo. Como nenhuma medida está sendo tomada para mitigar este sério problema, isso pode acontecer a qualquer hora. Não estamos preparados para lidar com um caso extremo destes. Não é um caso de "se", mas de quando. (Fotos: Wislon Ribeiro e redes sociais)